Porto de Imbituba: reduto da esperança

Por Arrison Berkenbrock

O Estado de Santa Catarina vem se notabilizando no cenário nacional não só por suas belezas naturais, mas também pelo seu dinamismo econômico. Com uma participação de aproximadamente 4% no PIB nacional, a terra de Anita Garibaldi desponta como uma das principais molas propulsoras da economia brasileira.

Vários fatores nos ajudam a compreender a pujança da economia catarinense, destes, destacamos a questão das atividades portuárias.
Os portos têm desempenhado um papel primordial na evolução econômica catarinense, permitindo com que o referido Estado transcendesse à situação de mero abastecedor do mercado interno para se tornar um gigante cosmopolita.

Santa Catarina possui três grandes portos, a saber: São Francisco, Itajaí, e Imbituba. Os dois primeiros apresentam uma linha de crescimento quase que ininterrupta, por conseguinte, o último, de Imbituba, percebemos uma suspensão nesse fluxo de crescimento. Daí a necessidade de lançar um olhar crítico ao porto em questão, no intento de elucidar os motivos que justificam a atual situação, bem como apontar para a necessidade do debate entre os segmentos da sociedade imbitubense a respeito do futuro do porto e, com efeito, do porvir do próprio município, haja vista que o desenvolvimento de Imbituba está intimamente atrelado ao desenrolar das atividades portuárias.

Segundo a professora Márcia Fernandes Rosa Neu, em seu livro “Porto de Imbituba: de armação baleeira a porto carbonífero”, a atividade portuária em Imbituba teve início com a pesca predatória de baleias, contudo, com a descoberta de jazidas de carvão no sul catarinense, associada à construção de uma infraestrutura para escoar o material, cujo exemplo mais emblemático foi a edificação da Ferrovia Dona Tereza Cristina (1884), a imagem de um porto natural passa a dar lugar à de um porto aparelhado, especializado no transporte do carvão. Com isso, já no final do século XIX, o Porto de Imbituba já era considerado o principal transportador de carvão do sul do país.

Evidentemente que o carvão sul catarinense, embora de qualidade questionável, suscitou interesse não só do governo federal, mas também de empresários que concebiam o minério como alternativa ao carvão inglês e estadunidense, sobretudo no início da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), quando o Brasil começou a enfrentar dificuldade de importar o produto.

É neste contexto que emergiu a figura do empresário carioca Henrique Lage, grande responsável pelas primeiras obras de aparelhamento do porto de Imbituba. A partir de 1919, Lage iniciou a construção do molhe de proteção, dos escritórios e armazéns. No mesmo ano, o empresário aduzido instala a primeira cerâmica de Santa Catarina (nesta ocasião recebe o auxílio do engenheiro Álvaro Catão), destinada num primeiro momento a produzir louças e sanitários para a frota dos seus navios.

No entanto, com o final da 1ª Guerra Mundial, a produção do carvão nacional sofreu considerável redução. O Brasil volta a contar com a oferta estrangeira do produto, sobretudo dos Estados Unidos, que oferecia o mesmo num preço bastante inferior ao produto nacional. Diante de tal conjuntura, os empresários que investiram nesta atividade mineradora forçaram o governo federal a tomar medidas no sentido de proteger o carvão nacional e, com efeito, salvaguardar os seus próprios negócios. O empresário Henrique Lage era um dos principais entusiastas desta ideia. Tal postura tinha sua razão de ser, afinal o mesmo criou um vultoso complexo industrial que precisava ser resguardado, a saber: Carbonífera Barro Branco, Companhia Brasileira Carbonífera Araranguá, linha telegráfica, o farol de Imbituba, além, claro, da mencionada cerâmica. Convém salientar que todo o império industrial criado por Lage foi construído mediante incentivos governamentais.

Deste modo, em 1931, o então presidente Getúlio Vargas facilitou a exploração do carvão, forçando os empresários ao uso de, no mínimo 10% do carvão nacional, em relação ao importado. Anos mais tarde, já em 1940, através do Decreto Lei nº 2627, Vargas ampliou a alíquota para 20%. O mesmo decreto determinava o aparelhamento do Porto de Imbituba, mediante concessão para a sua construção e exploração. A Companhia Docas de Imbituba (fundada em 1922), em requerimento de 11 de novembro de 1940, fez o pedido de concessão para a construção, aparelhagem e exploração do Porto de Imbituba. Assim, o governo federal concedeu à Companhia Docas de Imbituba o direito à exploração das atividades portuárias pelo prazo de 70 anos, a partir de 6 de novembro de 1942, a terminar no ano de 2012.

Tais medidas fomentaram o desenvolvimento da exploração do carvão e, por conseguinte, de toda região carbonífera. A vila de Imbituba prosperava. Diversos serviços, até então inexistentes, surgiram no intento de atender a essa nova realidade. É certo que Henrique Lage muito se beneficiou com as políticas protecionistas de Vargas, afinal de contas todo o seu império industrial, de natureza frágil, se fortaleceu ante as atitudes nacionalistas do referido presidente (o que não tira o seu mérito). Em suma, toda a composição de extração e escoamento do carvão catarinense se desenvolveu em função de medidas governamentais. E, na esteira desta dupla dependência (carvão, medidas protecionistas), o Porto de Imbituba ampliou suas atividades, destacando-se como grande exportador de, basicamente, um único produto.

A morte de Henrique Lage, ocorrida em 2 de julho de 1941, provocou uma série de mudanças (diga-se, não substanciais) nas estruturas de poder na Vila de Imbituba. A única herdeira do seu complexo industrial, a italiana Gabriela Bensanzoni Lage, esposa do rico empresário, foi expulsa do país sem direito aos seus bens. Os bens foram confiscados por Getúlio Vargas, que meses depois, repassou a Álvaro Monteiro de Barros Catão, engenheiro de confiança de Henrique Lage e do governo federal, aquele acabou herdando grande parte dos investimentos, com exceção da Indústria Cerâmica Henrique Lage, tendo como diretor o engenheiro agrônomo João Rimsa, que mais tarde comprou a empresa.

A dupla dependência do Porto de Imbituba, alinhava acima, não diminuiu com a morte de Henrique Lage, muito pelo contrário, a construção da Companhia Siderúrgica Nacional em Volta Redonda(1941) fez aumentar a demanda por carvão, aumentando a exploração do minério e, por conseguinte, fomentando as atividades no Porto de Imbituba.

Foi a partir da industrialização e comercialização dos rejeitos do carvão pela ICC (Indústria Carboquímica Catarinense) - estatal criada no governo Geisel - que a atividade portuária em Imbituba começou um processo de diversificação de cargas. A ICC ajudou a dinamizar o Porto e a economia de Imbituba, demandando novas áreas de serviços, gerando mais empregos e como tal aquecendo o mercado interno, sem contundo romper a dependência de incentivos governamentais. Tempos gloriosos!

Entretanto, a partir da segunda metade da década de 80 (a década perdida), com o esfacelamento do socialismo real e a adoção quase que universal do neoliberalismo (ideologia política que apregoa a não-interferência direta do Estado nas atividades econômicas e políticas dos indivíduos), o carvão nacional entrou naquela que foi considerada a pior crise de sua história. O governo brasileiro, ao abrir a economia e retirar as medidas protecionistas, lançou o carvão nacional no “livre mercado” (que não era tão livre assim), isto é, a concorrer com o produto estrangeiro. Tal concorrência resultou, obviamente, na diminuição do consumo do carvão catarinense.

De acordo com Maurício Aurélio dos Santos, em seu livro “Crescimento e crise na região sul de Santa Catarina,” o governo federal teve grande parcela de responsabilidade pela crise do carvão ao retirar sem aviso prévio os subsídios. As empresas não estavam acostumadas com concorrência, pois o governo era para a maioria delas seu único comprador”. Em outras palavras, o governo federal, ao longo dos anos, desempenhou a figura do pai que não deixou o próprio filho andar com recursos próprios (há quem diga que não tinha como ser diferente). De repente, o pai abandona o seu filho e o deixa à mercê de sua fragilidade.

Os anos 90 foram, digamos assim, nefastos para a economia imbitubense. Primeiro veio a retirada dos subsídios do carvão nacional no governo Collor e, posteriormente, foi a vez da liquidação da ICC por decisão do presidente Itamar Franco. Como percebemos, a lógica é simples: fim dos subsídios+concorrência+ (fica a critério do leitor) =crise do carvão e da indústria carboquímica+diminuição drástica na movimentação de cargas no Porto de Imbituba+desemprego. Fiz questão de acrescentar o termo “fica a critério do leitor”, porque, evidentemente, a retirada das medidas protecionistas não foi a única causa da crise do carvão e do Porto. Problemas administrativos também devem ser inclusos! (não os comentei porque o enfoque do texto não é esse).

A crise do carvão transformou Imbituba num porto eminentemente importador (de capacidade ociosa), relativamente longe dos grandes centros industriais e, não bastasse tudo isso, carente de uma infraestrutura que possibilite melhor engendrar suas atividades. Hodiernamente, a Companhia Docas de Imbituba, atual concessionária do Porto (até 2012, será?), procura aproveitar o bom momento econômico vivenciado pelo Brasil para atrair investimentos. Novos parceiros que estimulem a potencialidade não só do Porto, mas do povo imbitubense. Em abril de 2008, na sede da ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), em Brasília, a Santos Brasil Participações e a Companhia Docas de Imbituba assinaram o contrato de arrendamento do terminal de contêineres. O contrato, com vigência de 25 anos, podendo ser renovado por igual período, prevê investimentos na ordem de 282 milhões de reais. É o que dizem!

Grosso modo, essa é a história do Porto de Imbituba. Um porto que, no passado, vivenciou períodos de intensa movimentação, claro na esteira do desenvolvimento do carvão e sob a égide do governo federal e que, atualmente, procura estimular e diversificar sua atividade mediante parcerias. Como já acenei acima, parcerias milionárias vêm sendo engendradas. As cifras em jogo alimentam a esperança de muitos imbitubenses, contudo, mais do que se deslumbrar com o montante (afinal 282 milhões é bastante!) é necessário questionar como o mesmo será repartido.

Enfim, sem mais delongas, 2012 está na porta. Acredito que o futuro de Imbituba poderá em partes (ou em grande parte) ser delineado através das decisões que tomarmos acerca do status do Porto. O que acontecerá com o Porto? Quem vai e como vai administrá-lo? Muitas perguntas, poucas respostas. Diante deste cenário de incertezas, o que fica evidente é que a ausência de debates entre os cidadãos imbitubense a respeito da temática preocupa... E como preocupa! Avante!

13 comentários:

  1. Meu caro Arrison, só lembrando que Santa Catarina possui 4 portos, pois temos o Porto de Navegantes, que começou a operar em dezembro de 2007, e ainda este ano teremos mais um, o Porto de Itapoá. E quanto ao Porto de Imbituba esperamos que ele realmente seja um grande porto a partir de 2012. Os imbitubenses estão cansados de só blá, blá, bla´.....

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  2. Caro Nó no nó,
    A literatura concernente a essa temática destaca que SC possui três grandes portos e, Imbituba, é um deles.(quais critérios estão utilizando?). Por isso, utilizei a expressão "três grandes portos".
    No tocante a 2012, penso que se faz necessário um debate envolvendo todos os segmentos da sociedade imbitubense. As vantagens geográficas do Porto, por si só, não garantem coisa alguma. Mais do que posicionamento estratégico, precisamos de infraestrutura e de representatividade política.
    Cordialmente.
    Arrison Berkenbrock

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  3. Sinceramente não acredito que muita coisa va mudar pós 2012, pois mesmo mudando a concessão da administração do Porto, quem sempre ganhou dinheiro com o a atividade portuária em Imbituba (que não é e nunca foi só a família Catão)não abrirá mão de seus lucrativos negócios com as Cia docas de imbituba.
    Nossa cidade tem gente muito pacata e despreocupada com os rumos que estão sendo tomados em qualquer esfera da sociedade.
    Enquanto o Porto de São Francisco tem um acesso horrivel e está operando no limite, o de itajaí (não sei se ja esta operando normalmente após estragos no fim de 2008) e tem um acesso horrível, nosso porto (como nos orgulhamos de falar) que tem o melhor acesso dos tres e tem espaço para aumentar e muito as divisas catarinenses, fica na inércia, sem qu algo seja feito, ou cobrado pela população das autoridades "competentes".... finalizando sem uma mudança de postura da sociedade imbitubense na hora de cobrar de nossos representantes minucipais, estaduais, ou federal nada mudará infelizmente - e do jeito que está deve estar agradando a poucos que faturam alto no porto, e com raras exceções manterão suas empresas la dentro do porto e pouco farão para que haja alguma mudança! Temos que pensar coletivamente e agir coletivamente

    Plagiando o autor do texto.... Avante

    Arthur Silveira

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  4. Caro Arthur,
    Como afirmei no texto, o mais preocupante diante disso tudo é a falta de interesse e debate entre os cidadãos imbitubense.Afinal, em face a atual situação do município, o porto continua sendo um dos, senão o principal baluarte da economia imbitubense.
    Não podemos acreditar que a capacidade ociosa alinhada a vantagem geográfica posso asseverar grandes mudanças. Precisamos, sobretudo, de capital humano....é...vontade política coletiva!
    Arrison Berkenbrock

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  5. Sendo curta e grossa.QUEM TEM INTERESSE EM REUNIR A POPULAÇÃO E DEBATER O ASSUNTO? E IR CONTRA OS PEIXES GRANDES.. SÃO POUCOS , MAS MORDEM.
    SE ALGUÉM TIVER A RESPOSTA,ESTAREI AQUI PARA AJUDAR NA GUERRA.Não basta filosofar, tem que haver ação.

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  6. Marlene,
    Marx na 11ªtese sobre Feuerbach afimou: "os filósofos até hoje se limitaram a compreender o mundo, mais do que compreendê-lo é necessário transformá-lo.
    Concordo com Marx! Teorias desprovidas de dados empíricos verificáveis se configuram inócuas. Ora, é necessário acima de tudo concretizar aquilo que se pensa. Entretanto, acredito que para haver transformação(e transformação para melhor) faz se necessário o uso da compreensão( e da boa compreensão), da análise teórica, enfim, da atividade filosófica. Afinal, "no princípio era o verbo"....
    Cordialmente.
    Arrison Berkenbrock

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  7. Caro Arrison,

    Acerca de seu artigo e comentarios aqui postados, gostaria de dar uma panorâmica dos investimentos no Porto de Imbituba. Dentre êles, por carência de espaço, vou me ater apenas na implantação do Terminal de Contêineres de Imbituba o qual já nos dá uma idéia de como anda a situação de nosso porto.

    São informações de domínio publico, que lhe repasso com a máxima satisfação as quais, espero possa trazer alguma contribuição no enriquecimento de sua materia.

    TERMINAL DE CONTÊINERES

    Estágio atual: Em operação desde 7 de abril de 2008
    Arrendatária: TECON Imbituba S.A. (Grupo Santos Brasil)
    Vigência do Contrato: Até 11 de abril de 2033
    Valor Inicial do Contrato: R$ 797.523.077,63
    Investimentos em execução: R$ 230.038.519,46
    Capacidade: 360.000 contêineres / ano
    Geração de empregos diretos: 400
    Geração de empregos indiretos: 2.800
    Mercados a atingir: SC – PR – RS – Países do Mercosul

    Segundo os próprios investidores, em FATO RELEVANTE publicado em 14 de março de 2008, após a divulgação do resultado da licitação, o arrendamento do Terminal de Contêineres do Porto de Imbituba objetiva ampliar a liderança da Santos Brasil “no segmento de movimentação de contêineres, pelo estabelecimento de uma nova base de operações na região sul do país, e fortalecer a estratégia de expansão em terminais com potencial para operar como concentradores na região em que se inserem. A nova concessão exibe vasto leque de oportunidades:

    Excelente localização geográfica, a 96 km de Florianópolis, 380 km de Porto Alegre, 396 km de Curitiba, permitindo atendimento aos Estados da região sul do País - a segunda maior da economia brasileira, responsável por 17% do PIB nacional e por 31% da movimentação de contêineres;

    Porto marítimo, sem limitações físicas para receber navios de grande porte, em alinhamento com a tendência para a América do Sul nos anos à frente;

    Possibilidade de expansão da capacidade, podendo chegar a cerca de 950.000 TEU/ano no longo prazo;
    Potencial de captação de cargas em todo o Estado de Santa Catarina, e no norte do Rio Grande do Sul, principalmente cargas refrigeradas (frangos, suínos e frutas), móveis e produtos industrializados de madeira, produtos da indústria metal-mecânica e de máquinas, cerâmica e fumo.”

    Com as obras de pavimentação já tendo atingido mais de 70.000 m² e com o avanço da expansão dos Cais 1-2 em 410 m, totalizando em 660 metros os dois berços de atracação, o Terminal de Contêineres irá consolidar, com positivos impactos na geração de empregos, de mais tributos para o Estado e o Município, aumento da freqüência de navios no porto e toda uma gama de reflexos no desenvolvimento regional.

    Saudações,

    Cândido.

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  8. Caro Cândido,
    Mais uma vez grato pelos seus comentários. Acredito que o caminho para a "redenção"( se é que podemos utilizar o termo)do Porto perpassa necessariamente por construções de alianças sólidas. Precisamos, como você mesmo afirmou, ser pragmáticos. Imobilismo ideológico, recusa ao diálogo em nada contribuem no processo de transformação da realidade. A história tem sido magnânima em revelar isso!
    Contudo,ser pragmáticos e aceitar qualquer proposta não são qualificações correlatas. Penso que os projetos de alianças devem estar pautados sob o princípio do bem coletivo. Aliás, todos nós ou quase todos nós, assim pensamos. Muitas vezes o nosso problema não é técnico, mas ético. Daí a necessidade de estar sempre acenando para isso.

    A parceria com o Grupo Santos Brasil promete avanços, digamos assim, significativos, não só para o município, mas para toda a região. Os números, de fato, são animadores. O problema é que o ânimo exacerbado, por vezes, pode levar à renuncia da crítica( triste destino de Teseu). Vejamos: há uma estimativa de geração de empregos, assim ordenadas: 400 diretos e 2800 indiretos. As expressões numéricas são auspiciosas, mas que tipo de trabalho será absorvido? Estamos falando de "trabalho estável" ou trabalho subcontratado, precário, temporário, part-time?
    É claro que nos interstícios da escolha: desemprego ou trabalho temporário, prefiro o mal menor. Mas, não podemos nos contentar somente com crescimento econômico! Urge possibilitar o desenvolvimento social, e promover isso vai muito além da geração de empregos.
    Atenciosamente.
    Arrison Berkenbrock

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  9. Prezado Arrisson,

    A respeito de suas preocupações acerca dos benefícios advindos do empreendimento em questão, no tocante ao quesito geração de emprego, entendo que as vagas criadas não sejam temporárias e suas perspectivas de ocorrências são reais.

    Pelo conceito de Trabalho temporário, entendo ser aquela atividade que consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores devidamente qualificados, para atender à necessidade transitória de substituição de seu pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços.

    Nâo é esse o caso. Este empreendimento, por sua natureza e prazo de 25 anos de vigência, certamente vai gerar vagas regulares e permanentes, tanto para empregos diretos como indiretos só para si.

    No aspecto sócio-econômico,temos que considerar o reflexo positivo em todas atividades portuárias como um todo, desde o aumento de efetivo e qualificação dos trabalhadores portuarios dos sindicatos autônomos, ampliação e melhoria dos serviços de apoio portuário, estabelecimento de novas agências, de despachantes aduaneiros,aumento do quadro de praticagem, etc...

    Em resumo, a criação de empregos passa necessariamente pela geração de atividade/empreendimento que possibilite esta oportunidade cujos resultados que se refletirão não só na atividade portuária, como também no Município e Região.

    Já estamos chegando lá e felizmente não vamos ter que esperar por 2012.

    Um abraço,

    Cândido.

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  10. Boa tarde, Cândido:

    O mundo do trabalho vem passando por um processo de intensas metamorfoses. Verifica-se nos países de capitalismo avançado(e aí podemos incluir o Brasil)uma tendência de uma maior complexificação, heterogeneização e fragmentação da classe-que-vive-do-trabalho.

    Tais tendências vêm provocando uma gama de reflexos tanto na materialidade, como na subjetividade da classe-que-vive-do-trabalho(despossuídos dos meios de produção). Vejamos algumas:
    -A redução do trabalhador fabril, manual, remanescente do fordismo e taylorismo. Esse tipo de trabalho vem cedendo lugar a formas mais desregulamentadas de trabalho;
    -Na contramão dessa tendência, há o aumento de trabalhadores subcontratados, temporários. Esse modelo de trabalho que, outrora era preenchido por imigrantes, como o lavoro nero na Itália, vem atingindo também os trabalhadores herdeiros da era fordista;
    -Expansão do setor de serviços que absorve uma grande parcela dos trabalhadores demitidos do mundo do trabalho fabril. Nos EUA, esse contingente já ultrapassa os 70(por cento;
    - Aumento significativo do contingente feminino no universo do trabalho, sobretudo no mundo do trabalho subcontratado, precário.

    As mudanças acima citadas (e outras que não as comentei), na verdade são meios na qual o capital vem utilizando para se reestruturar. A grande problemática é que, nesse admirável mundo novo do trabalho, a classe-que-vive-do-trabalho vem sofrendo perdas irreparáveis. Em face as novidades,o movimento sindical deixa de apresentar a vitalidade que outrora demonstrava. As taxas de sindicalização( a relação entre trabalhadores assalariados e sindicalistas) apresentam consideráveis decréscimos, inclusive em países de longa tradição sindical. Afinal, os sindicatos têm encontrado dificuldades em incorporar esse novo contingente que, dado o caráter do vínculo empregatício, não desenvolvem uma consciência de classe.

    Daí advém minha preocupação no tocante a geração de empregos que você acena. Por isso, alimento a dúvida. Mas, tomara que seu vaticínio não se configure incorreto.Grato pela contribuição!
    Cordialmente.
    Arrison Berkenbrock

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  11. Concordo com o pensamento do colunista! É perceptível as mutações no mundo do trabalho e, nesse novo arranjo, os sindicatos vêm encontrando dificuldades em agregar os trabalhadores temporários.

    Alisson Raniere
    Imbituba - SC.

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  12. Prezados Arrisson/Allisson,

    Sobre suas preocupações entendo ser importante a abertura de uma linha de entendimento entre dirigentes sindicais, entidades portuarias tais como o Orgão Gestor de Mão-de-Obra, Sindicato dos Operadores Portuários, Conselho de Autoridade Portuária, assim como o Sindicato dos Estivadores, Sindicato dos Conferentes, Sindicato dos Portuários, Sindicato dos Amarradores, Sindicato dos Arrumadores, Terminais Arrendados,Sindicato dos Vigias Portuários,Sindicato dos Consertadores, Cia Docas, Agentes Marítimos,Despachantes Aduaneiros, Sindicato de Marítimos,enfim todos, para juntos num conclave, fazerem uma avaliação da situação dos Trabalhadores Portuários e qual o caminho a ser indicado na solução desta temática que envolve os Trabalhadores Portuários ou no Porto e seus direitos no cenario local a atual.

    Sds,

    Cândido.

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  13. Ao leitor que enviou comentário sobre a II Guerra Mundial, informo que não foi publicado porque não foram atendidas as regras estabelecidas.

    Aguardo retorno.

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