Democracia capenga

Por César de Oliveira

Montesquieu em sua obra mais famosa – O Espírito das Leis – publicada em 1748, desenvolveu a Teoria da Separação dos Poderes, ou da Tripartição dos Poderes do Estado, com o objetivo de moderar o Poder do Estado, dividindo as funções e atribuindo-as a três órgãos diferentes: Executivo, Legislativo e Judiciário, harmônicos e independentes.

Referida teoria tinha como objetivo primordial evitar o arbítrio e a violência decorrentes do abuso do poder real. A separação dos poderes é, hoje, uma das pedras angulares do exercício do poder democrático.

Infelizmente, em muitas cidades brasileiras há muito não impera tal realidade, haja vista que o Poder Legislativo abdicou totalmente de sua principal função, qual seja a de fiscalizar os atos do Poder Executivo, cobrar providências e melhorias e propor novas leis ou o aperfeiçoamento daquelas existentes.

O que se vê é o monopólio do Poder Executivo em apresentar Projetos de Lei, aprovados sem qualquer discussão ou aprofundamento por parte dos Vereadores.

A iniciativa dos parlamentares se resume, praticamente, a apresentar moções de apoio e congratulações, nem sempre relevantes. Há muita propaganda (marketing) e poucos resultados práticos em favor da Sociedade.

Aliás, não raro o papel que deveria ser exercido pelos vereadores de Oposição(?) é assumido por vereadores situacionistas, teoricamente aqueles que deveriam defender o Poder Executivo das manifestações da Oposição. Somente falta aos representantes da Oposição se manifestarem em defesa do Governo.

Como se não bastasse, a esmagadora maioria das Câmaras de Vereadores apresenta sérias deficiências no tocante ao atendimento do princípio constitucional da publicidade, inexistindo divulgação da pauta das sessões, transmissão das sessões por rádio, televisão ou pela internet.

Por fim, vale lembrar mais uma vez Montesquieu que refletindo sobre o abuso do poder real, concluiu que "só o poder freia o poder".

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